COMTUR e Planejamento como Passaportes para o Mapa do Turismo 2026
A publicação da Portaria 1/2026 pelo Ministério do Turismo marca uma mudança de paradigma na gestão pública do setor no Brasil.

Mais do que uma atualização burocrática, as novas diretrizes do Programa de Regionalização do Turismo (PRT) e do Mapa do Turismo Brasileiro elevam a régua da gestão municipal, transformando o Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e o planejamento estratégico em requisitos inegociáveis para o desenvolvimento local.
A partir de
1º de abril de 2026, municípios que desejam figurar no mapa nacional — e, consequentemente, acessar recursos federais e linhas de crédito como o Fungetur — precisarão demonstrar uma governança profissional e ativa.
O COMTUR como Protagonista da Governança
Se antes a existência de um conselho era, por vezes, vista como uma formalidade documental, a nova normativa exige
comprovação de atividade real. O COMTUR deixa de ser uma "sigla na gaveta" para se tornar o coração da estratégia turística municipal.
As novas exigências para o município incluem a apresentação da Ata de Posse Atualizada, garantindo que a diretoria esteja com mandatos vigentes. Além disso, há um forte apelo à Transparência Pública: a recomendação é que todas as informações do conselho estejam disponíveis no site oficial da prefeitura. Por fim, a Integração Regional torna-se obrigatória, exigindo que o município comprove sua participação ativa na respectiva Instância de Governança Regional (IGR).
A Necessidade de um Plano de Trabalho Estruturado
A grande inovação da Portaria 1/2026 é a exigência do Plano de Trabalho do Conselho ou Fórum Municipal de Turismo. O Ministério do Turismo sinaliza que não basta ter o conselho; é preciso definir as ações para todo o período de gestão.
Por que o Plano é essencial? Um plano de trabalho bem estruturado evita o amadorismo e a descontinuidade das políticas públicas. Ele define metas, cronogramas de reuniões, prioridades de investimento e estratégias de promoção, garantindo que o turismo seja tratado como uma política de Estado, e não apenas de governo.
Cronograma de Transição e Prazos de Adaptação
Para garantir que a transição ocorra de forma organizada e sem prejuízos aos entes federados, o Ministério estabeleceu um cronograma claro de adaptação.
Até o dia 31 de março de 2026, as análises técnicas e cadastros ainda seguirão as regras anteriores, baseadas no Ato Normativo nº 9/2025.
A grande mudança ocorre a partir de 1º de abril de 2026, data em que as novas diretrizes da Portaria 1/2026 passam a ter vigência total para todos os municípios e regiões. Outro ponto de atenção para os gestores é o prazo de renovação do cadastro no Mapa: visando maior previsibilidade e segurança jurídica, o período mínimo de antecedência para a solicitação de renovação foi ampliado de 60 para 90 dias.
Benefícios Diretos: Do Mapa ao Financiamento
Estar no Mapa do Turismo Brasileiro com um COMTUR forte e um plano definido não é apenas uma questão de prestígio. É o que abre as portas para o
Novo Fungetur. Com taxas de juros em torno de
5% ao ano e carência de até cinco anos, o fundo é o principal motor para obras de infraestrutura, sinalização, modernização de equipamentos e capital de giro para empresas locais.
Conclusão
As novas diretrizes convocam os gestores municipais a um compromisso com a profissionalização. O COMTUR e o Plano de Trabalho passam a ser as ferramentas fundamentais para que o município não apenas "esteja" no mapa, mas consiga converter o potencial turístico em emprego, renda e desenvolvimento sustentável para sua população. O tempo de organização é agora: o futuro do turismo brasileiro passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da governança local.




